
A melhor maneira de guardar o beneficio é lembrar-se dele, tê-lo na memória e dar graças sempre. É por isso que os extraordinários mistérios, cheios da graça da salvação, que celebramos na Missa, recebem o nome de Eucaristia, quer dizer, de ação de graças, pois são o memorial de muitos benefícios de Deus, põem-nos diante da maior manifestação da sua Providência e inclinam-nos a dar graças a Deus a todo o momento. (Homilias sobre São Mateus, 25, 3)
Ao vê-lo exposto diante de ti, deverás dizer a ti próprio: por este Corpo já não sou terra nem cinza, já não sou cativo, mas livre; por ele espero o céu e todos os seus bens: a vida eterna, a sorte dos anjos, o trato familiar com Cristo. Este Corpo, atravessado com pregos, ferido com açoites, não o levou a morte: até o sol, ao ver este Corpo crucificado, desviou os seus raios; por causa dele rasgou-se então o véu, quebraram-se as pedras e toda a terra tremeu. É este aquele Corpo que foi ensangüentado, que foi ferido pela lança e que fez brotar para o mundo inteiro as fontes da salvação: uma de sangue e outra de água. Queres mais argumentos para conhecer a força deste Corpo? (Homilia sobre a primeira Epístola aos Coríntios, 24, 4)