sábado, 25 de agosto de 2007

Pe. Theodoro Ratisbonne - Israel


Existe um povo não menos antigo do que os Gregos, mais nobre em sua origem, mais interessante por suas longas misérias, mais extraordinário por sua vida, mais milagroso por sua história, mais admirável por seu destino; e esse Povo é Povo de Israel. Esta Nação normal parece ter sido escolhida para servir, nos tempos primitivos, de tipo e de modelo para a civilização humana:teve, no decurso dos tempos, de servir de exemplo, de instrução e experiência a todos os Povos da terra.Mas a época virá, e já não esta muito longe, em que os P0vos terão tirado proveito das lições que uns dão aos outros, e formando uma só e única família, reconhecerão os desígnios da Providência, dobrarão sob a vontade do Deus Todo-Podroso, ciumento em seu Amor, fiel em suas promessas, inesgotável em suas graças e suas misericórdias.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Pe.Theodoro Ratisbonne - Fogo do amor


" O fogo que consome o holocausto sobre o altar não se apagará jamais. Cada manhã o sacerdote lhe acrescentará mais lenha. Um fogo perpétuo arderá sobre o altar, sem jamais apagar-se".

Lv 6,5-6


Este fogo sagrado, o qual se encontra também o culto no paganismo, é a figura do fogo imortal do amor, que deve arder em nossas almas assim como em nossos altares; devemos entretê-lo com cuidado pelo sopro e a substância da oração, pela oferta de nosso ser .

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Pe.Theodoro Ratisbonne - A fé.


"Os discípulos, procurando Jesus a sós, disseram: " Por que razão não pudemos expulsá-lo? Jesus respondeu-lhes: "Por causa da fraqueza da vossa fé, pois em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível." Mt 17,19-20


A causa da impotência do homem é a incredulidade, a causa de seu poder , a fé. A incredulidade é rompimento da relação do homem com Deus. É a cessação do movimento da vida, pois que sem fé não se recebe mais o que Deus dá. E então não há mais reação, mais movimento vital, mais religião. A fé é restabelecimento da relação do homem com Deus. É ela a religião viva que liga o homem a Deus. Mas essa fé não é somente crença. É confiança e obediência, abertura profunda da alma para receber dentro de si o dom de Deus, a semente da vida, adesão forte da alma à substância de Deus, união, comunhão, comunicação interior, íntima com Deus. A união com Deus é a meta e o termo da Redenção, e a fé é o único meio dessa união. Digo único porque reúne todos os outros para atingir esse termo: a fé viva não é somente crença, apego, adesão profunda, é adoração, é oração, é comunhão, é ação pratica, é obra, ela é todo o cristianismo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Pe.Theodo Ratisbonne - Amor


"O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam". 1Cor 2,9


Ame. O amor é a substância de toda a religião, o resumo e o apanhado da Tora e dos profetas . Ame, pois o amor é fonte de todas as virtudes, o princípio da dedicação e o esquecimento de si próprio, o penhor da fidelidade e da perceverança, o meio sagrado pelo qual nos unimos a Deus e nos tornamos um só espírito com ele. O amor afugenta o escrúpulo e o temor servil. O amor nunca vai sem temor, mas o purifica: suaviza-o e o regula de maneira que seja o temor de um filho e não o de um escravo.


(Carta à Senhora Sofia Stoulher - Agosto 1838)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Pe.Theodo Ratisbonne - Gratuidade




De graça recebeste,de graça dai. Mt 10,8


A palavra "gratuitamente" tem diversos matizes: o primeiro e o mais simples é de não dar por dinheiro o que se recebeu sem dinheiro. Mas em outro sentido, é preciso administrar e distribuir os dons de Deus, sem exigir como retribuição nem estima, nem gratidão, nem honrarias, nem glória, nem considerações; porque a esse preço os dons não seriam nada gratuitos: é preciso dar gratuitamente, isto é, sem voltar sobre nós mesmos. Em outro sentido superior, as palavras "recebestes gratuitamente" não mostram ainda a maneira gratuita com a qual a graça nos preveniu, sem acepção de pessoa sem mérito algum de nossa parte? É assim que é preciso dar imitando Jesus Cristo mesmo: dar gratuitamente, sem nos voltarmos sobre nós mesmo, mas também sem consideração pessoal.



(Primeiros escritos)



segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Pe.Theodoro Ratisbonne - fome e sede saciadas.


“Se alguém tem sede, que ele venha a mim e beba”. Jo 7,37

É a Jesus Cristo que se deve ir para saciar a sede e acalmar a fome de nossa alma. Nós vamos a Jesus Cristo quando nos ligamos a ele por meio de uma fé viva e que fazemos frutificar suas palavras em obras. Do momento em que nos unimos a ele, sua justiça nos justifica, sua santidade nos santifica; a medida que esta união se aperfeiçoa, nós nos tornamos mais justos e mais santos.Por meio da comunhão nosso Senhor é a árvore da vida à qual nós devemos ser enxertados , a fim que a seiva divina, saindo de seu coração, circule através de todos os galhos para vivifica-los e torna-los mais frutuosos.Por meio deste inefável Sacramento, nos alimentamos do amor, bebemos a caridade,aspiramos o Espírito de Jesus Cristo, assimilamos seus sentimentos, nossa vida se torna, de uma certa maneira, prolongação da sua.

domingo, 19 de agosto de 2007

Pe.Theodoro Ratisbonne - A gratidão de Maria


“ Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador” Lc 2,46

Virgem cheia de graça expande divinamente seu amor e suas ações de graças no cântico sublime, cujo texto sagrado o Evangelho recolheu. Cada palavra deste hino traduz um sentimento de gratidão profunda. A Filha real de Sion (Sião) arranca de sua alma e não só de sua boca as palavras com que canta as glórias do Senhor; humildemente proclamava nada haver feito para merecer os favores de Deus; que o Senhor olhou unicamente a pequenez de sua serva e que os prodígios nela operados manifestam a grandeza e o poder d`Aquele que é o único grande e poderoso. Faz reverter toda a glória ao Deus três vezes santo; e é para exaltar sua bondade infinita que desenrola a corrente de misericórdia, da qual é o primeiro elo. Seja-nos permitido confessar com a doce Virgem Maria no seu Magnificat, que Deus olhou a nossa humildade! Este testemunho aumentará nossa gratidão; far-nos-á apreciar melhor o benefício, e mais claramente sentir o que devemos ao celeste Benfeitor.